segunda-feira, 23 de junho de 2014

Mais do que deveria



Mais sofrido do que deveria ser, mais cansativo do que deveria ser, mais perigoso do que deveria ser. Assim foi a classificação da seleção brasileira para as oitavas de final da Copa do Mundo. A vitória por 4x1 sobre a já eliminada seleção de Camarões criou um misto de alegria com certa desconfiança, até mesmo pelo sofrível primeiro tempo contra um time tão limitado.

O tímido “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” dava o tom do jogo, e até mesmo de toda primeira fase executada sem a perfeição que esperávamos de nossos craques. Nelson Rodrigues, em uma de suas crônicas, disse que se o brasileiro estivesse em seu estado de graça, seria impossível ser parado pelo adversário. De fato.

A problemática é exatamente esta. Nem todo jogador está em “estado de graça”, vide Paulinho, que se transformou em reserva no Tottenham da Inglaterra, Daniel Alves, que em suas subidas descabidas desguarnece a zaga e até mesmo Fred, que apesar do gol, não é o mesmo de um ano atrás.

Talvez a solução pra esses problemas esteja no banco de reservas. A entrada de Fernandinho é um claro exemplo. Aliás, essa é a segunda vez que entra em campo e vai pra galera comemorar.

Ah, Neymar. Nunca dependemos tanto de um jogador. O moleque manda e desmanda no jogo. Mais uma vez foi senhor da partida, marcou dois gols, empolgou a torcida, fez a festa. Não temos pra onde correr, é ele. Perdoem os elogios, mas precisamos dele, queiramos ou não. Existe uma sintonia: Copa, torcida, Neymar, gol.

Não deixemos o resultado esconder nossos defeitos, e na real, essa é minha grande preocupação. A falta de variação tática, o espaço gigantesco no meio campo. Problemas que podem ser sanados nos treinamentos, mas que precisam de atenção especial.

A nossa paixão nos diz que o Brasil poderia mais, especialmente por jogarmos em casa. A razão confronta com a desconfiança de uma primeira fase ruim.

Nada que um Brasil e Chile não resolva.

David Tavares

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Figurantes




Ver a seleção camaronesa ser eliminada na primeira fase da Copa do Mundo, tudo bem. Todos imaginávamos. Agora, a Espanha foi uma surpresa, pelo menos pra mim. Não pelo futebol que vinha apresentando nos últimos dois anos, mas pelo favoritismo de ter sido campeã mundial em 2010. 

A Espanha que entrou em campo hoje contra o Chile e semana passada contra Holanda, não tinha nenhum traço daquela Espanha que encantou o mundo anos atrás. Os passes bem feitos de outrora, não foram vistos. Os belos lances de efeito, muito menos. O que se viu em campo foi uma seleção pra lá de comum contra um Chile dominador, pra não tirar o mérito dos bravos chilenos.

A Espanha cumpre tabela contra a Austrália, como fez contra Holanda e Chile. Uma simples figuração.


terça-feira, 17 de junho de 2014

Um empate e nada mais



O empate de hoje contra os mexicanos realmente foi ruim pra seleção brasileira, nada além disso. Desastroso, como alguns amigos pessimistas teimam em dizer, é demais. O Brasil é líder do grupo A com 4 pontos e na pior das hipóteses, pode empatar com Camarões na última partida da primeira fase. Se passar em segundo do grupo, pode ter Holanda como adversária. Se em primeiro, pode pegar Espanha ou Chile.

Sim, eu acho que o Brasil é favorito ao título. Jogamos em casa, ditamos as regras. Um simples empate não pode apagar todo um trabalho. No máximo, serve para abrir nossos olhos e mostrar que não existe facilidade em nada, muito menos em Copa do Mundo.

E esse favoritismo não apaga os nossos erros em campo. As falhas de Paulinho no meio, o desaparecimento de Fred no ataque, até mesmo a cruel esperança em Neymar, fatores que devem ser observados, problemas que ainda devem ser sanados. E serão.

Obviamente ainda nos falta uma apresentação de gala, como Holanda, Alemanha. Mas tudo tem o seu tempo. Nada de pessimismo, rapaziada.

Não dá pra atribuir valor demasiado a um simples empate com o México. É só um empate, nada mais.

David Tavares